* 71



A garoa é nuvem.
Que percorre meu ar
e dança apressada na luz.
Como milhares de agulhinhas,
molha aos poucos minha pele.
Que à vontade,
experimenta o asfalto vazio.
As irregularidades
massageiam meus pés descalços,
que regulam um desequilíbrio sufocado.
Suas mãos em meu pescoço.
Mesmo em outro plano.
E nossos planos imitam a garoa.
Efêmeros e levemente pontiagudos.
Passo os dedos pelo carro,
refresco minha nuca febril.
O ardor me faz falta.
Quando esquento, queimo.
Quando me molho, mergulho.
Sua ausência
me faz esquecer de lembrar de você.
Nosso sexo fica opaco.
Meu esforço, preguiçoso.
Corpo molhado por inteiro.
O banho te lavou da minha pele.
Te levou de mim.

* 70



Conhecer um banda nova
que combina com o ritmo do nosso gosto
é receber um punhado de sensações num embrulho.
Um presente sem laço,
pra ser mais fácil
de abrir e compartilhar.

Passei a semana decorando o álbum.
Meio porque decorava meus dias
e muito porque meu coração sempre sabe o que faz bem.

Decorar vem do latim.
Acreditavam que o coração era o órgão da memória.
Eu ainda acredito.
Quando você aparece,
ele já acelera.
Bem melhor que Post-it.

E olha que bem sabemos,
lembrar nunca foi meu forte.

Meus pés não costumam ficar no chão.
No dia do show,
dei risada quando eles encostaram.
Olhei feliz e o piso era todo brilhante.
Um carnaval fora de época.

Achei que cê tivesse chegado mais cedo
e purpurinado tudo pra mim.
Pra eu não achar estranho, sabe?
Pros meus pés continuarem no céu.

As luzes deixavam seu rosto alaranjado.
Um sol no meu pequeno universo.
Minha respiração
acompanhava a translação da Terra.
29,9 km/s.

A gente descobriu
que em apenas uma hora,
dava pra ir umas 110 vezes
pro Rio e voltar.
Tava vendo aqui,
podemos também ir umas 11 vezes pra Croácia.
Quem sabe ficar...

O teto tinha um recorte
que me lembrou um sótão.
Gostei de como ficou nosso quarto
e da luneta que colocou na janela.

Deitada na rede,
aproveito essa calma que nunca existiu em mim
e que você empresta.

De fundo
a música cantava o que quero que a gente lembre:
"Tanta gente buzinando, esqueceu de andar"
E nessa galáxia de calma e euforia,
Gosto de como a gente se gosta.
Faz parte da magia.

* 69





São Bento

O fundo era todo azul.
Me sentia no céu.
O vento forte deixava meu corpo marcado pelo vestido solto.
O álcool me fazia sorrir.
A mente, voar.
Parei e ajustei meus pés bem pertinho das bolinhas amarelas.
Tava falando que eu não podia ultrapassar.
Quase que não resisto.
A morte é nossa única certeza.
É o que dizem.
Eu tenho mais uma.
A de que na minha vida
meu coração nunca vai parar de se apaixonar.
Inquietude parece ser sua maior característica.
Sentei depois de três estações de pé.
Abri as páginas que estavam me chamando há horas.
Eu não tinha tido tempo pra ler antes.
Teve café, passeio, conversa, centro, picolé,
muita história que queria atenção.
Muita história gostosa que eu queria dar atenção.

O homem no livro combinava com minhas unhas descascadas.
Gritava:
"- Vai maridinho, vá para o seu lar. E gargalhava.
O maridinho se sentiu um idiota.
- Vai maridinho de merda."

Minha unha tava uma merda mesmo.
Mas eu me sentia bem.
Tive mais certeza de que não quero nunca um "maridinho".
Aquele vento na escada rolante
tinha levado pra longe
qualquer sentimento ruim.

* 68



No dia que você me fodeu na janela
meu grito abafava o som da cidade.
Suas mãos apertavam com força meu peito,
arrancando qualquer solidão.             
O sal que escorria era suor.
Nossos corpos reverberavam de desejo.
Minhas pernas tremiam na ponta do pé
pedindo mais de você.
Arranhei teu pescoço, tua coxa.
Cortei meu céu da boca de tanto chupar seu dedo.
Agarrando meu cabelo você marcou minha nuca.
Queria que não acabasse nunca.
Mas você gozou.

Não senti na hora
mas uma célula de transformação
superava o meu autocontrole.
Era metástase.

Você sabia que apenas uma a cada mil células que se desprende de um tumor poderá formar uma metástase?

Não é qualquer célula.
Ela precisa de muita habilidade pra ultrapassar a barreira de proteção do corpo.
E você não é qualquer um.

Quando te vi de novo
tudo aquilo tinha se multiplicado.
Eu amava aquele descontrole
e nosso amor sob medida.

Tava feliz.
Mas era uma quarta-feira.

Nunca gostei das quartas.
Já estou exausta e o fim de semana ainda parece longe.
Além de ser minha placa
e ter aula de Princípios Mercadológicos.

E agora, além de você ter me fodido de novo na janela.
Mas dessa vez 
só teve desprezo, não gozo.

Teu soco te jogou longe.
Atravessei a cidade querendo acelerar a dor.
Minhas mãos apertavam com força o volante
Esmagando qualquer ingenuidade.
O sal embaçava as luzes.
Meu corpo gritava esperando ouvir a dor 
e não meu coração.
Você, filho da puta, tinha ensinado ele a gritar mais alto.
Minha perna tremia e eu pisava mais fundo.
- Não te quero mais. Ouviu?!
Arranhei meu pescoço querendo te arrancar de mim.
Cortei minha boca mordendo de raiva.
Meu cabelo grudava na cara
Só queria que acabasse logo.

Bati o carro.
Tava na cara que era câncer terminal.

* 67


                           

Eu via os pés dele inquietos na cadeira ao lado.
Seu tênis rangia de um jeito,
que eu fazia o mesmo com os meus dentes.
Vi os pés pararem abruptamente,
aproveitei pra respirar.

Uma moça tinha chegado.
Ele enxugou as mãos na calça mostarda
e eu até me arrumei na cadeira.

Ela colocou uma caixa na mesa,
soltou o cabelo e foi até o balcão.
Andava leve,
sorria com tranquilidade.
Tanto que a ansiedade,
minha e dele,
se acalmou.

Voltou com café pros dois.
Quase levantei pra pedir um
mas não queria perder nada.

Ele puxou a caixa para si e não abriu.
Pena, queria muito ver.
Eu teria aberto.
Vai que me deparava com a esperança lá dentro.

Beberam o café em silêncio.
Se olhando de um jeito
que de jeito algum ele esfriaria.

Tentei focar no meu texto
mas eles queriam muito virar um também.

Quando voltei,
o olhar dela tinha um misto de paz com firmeza.
O dele, só pude ver escorrendo pela bochecha.
E o meu, virou decepção.
O que tinha perdido?

Ele levantou e se debruçou sobre a mesa.
Ela ficou.
Sentiu os dedos dele abraçando seu rosto,
os lábios deitando nos seus olhos
e se aconchegando no cantinho do sorriso.
E antes que ela perdesse o ar,
o café, que atravessava a mesa devagar,
se intrometeu na sua recaída.

Ela levantou rápido
e saiu secando o vestido com o guardanapo.
Ele ficou. Secando o café.
Já que as lágrimas se esquivavam.

Fiquei ali no canto
pensando se ele me acharia louco demais
se eu o abraçasse.
Podia ter uma regra onde abraços reconfortantes
são sempre permitidos né?!

Não vimos quando ela voltou,
nem se voltou.
Mas deixamos a caixa lá.

* 66




Eu tava bem do seu lado 
e parecia que nada acontecia.
Seu cheiro tava igual.
A textura da sua pele era como a daquela noite.
Seu humor tava ácido do jeito que cê sabe que gosto. 
E até sua camiseta era a mesma. 

Olhei pra mim 
e a minha também era.

Num sei bem como,
mas ali entendi o quanto os universos particulares 
são intensos e plurais.

Ainda que eu veja tudo igual
Posso enxergar as mesmas coisas 
de mil maneiras.

Mesmo você não acontecendo por fora 
senti seu calor de dentro.

Aproveitei em silêncio.
Ele esquentou em mim.

Se eu fosse te falar alguma coisa agora,
diria pra você sentir e mergulhar nas vontades.
Se envolver e conhecer o lado bruto e arrebatador dos desejos.
Deixar de se proteger de medos 
pra não anular sua própria essência do viver.

Ia te contar que o presente existe.
E é nele que quero me perder.
O pôr do sol tava lindo hoje.
E eu vi.

* 65





Apertei a pontinha da saia com força.
Depois fiquei tentando desamassar com a mão.
Enrolei meu cabelo nos dedos.
Esfreguei ansiosa minha nuca.
Mordi os lábios prum lado e pro outro.
Minha bochecha denunciou meu coração acelerado.

Você só me olhava.
Parado.
Sereno.
Como é que todo esse amor num te escancara o peito?

O meu amor é como uma espuma subindo sem parar quando a gente tenta lavar uma garrafa.
O bom é que lava por dentro e por fora,
Às vezes cai um sabão no olho mas depois que tiro o excesso,
ele fica ainda mais brilhante.

Olhei sua perna,
e a minha já foi entrelaçando.
Olhei sua mão,
e senti ela nos meus seios.
Olhei seu pescoço,
e seu gosto tava na minha boca.
Olhei sua barba,
e mordi com desejo seu queixo.
E nos seus olhos,
eu toda já me aconcheguei.

É bem ali que a gente se encontra no gostar.
Onde o solilóquio tem a mesma ambição.

Você fechou as pápebras com carinho,
pra me guardar num abraço de olhar.
Agradeci.
Num sei até quando eu posso ficar.

* 64



Quando você passou por mim hoje cedo,
meus olhos te seguiram ansiosos.
Encontraram sua bochecha rosada,
sua nuca branquinha,
seu ombro delicado 
e uma cintura que sei bem,
encaixa direitinho na minha mão.
Quando meu deslumbre só crescia,
uma haste ciumenta de óculos
bloqueou a minha visão.
Você ficou no meu ponto cego.
E eu, cego de paixão.


* 63


Hoje, olhando o balanço do mar, 
lembrei do quanto você me balançou.
Me veio aquele cheiro de sal na boca
e por algum tempo, não enxerguei.
Parecia até que a expressão marejada
tinha sido inventada só praquele momento.

Hoje, com o vento frio na minha nuca,
pensei no quanto teria sido bom
se você não tivesse desistido de esquentar meu coração.
Me veio um arrepio de mágoa
e senti que o gelo que você me deu foi até a alma.

Percebi só, que eu não queria ter percebido nada.

Hoje, sentindo a areia áspera na minha mão,
me doeu quando vi o grão sumindo tão rápido
quanto você me desapareceu da sua vida.
E entendi que esperava sozinha
você me trazer de volta.

Hoje, com essa lua sorriso,
acabei lembrando que eu não sorria assim com você
e que talvez a sua falta
era só um desespero da minha solidão.


Sua ansiedade me incomoda.
Suas histórias se repetem
e seus problemas não me interessam não.

Só hoje, o alívio me brilhou os olhos.
A leveza me flutuou em mim mesma.
O peito acalmou,
a maré parou de puxar.

Hoje, nessa praia,
o balanço levou a Clarinha bem alto.
Teve castelo de areia e fiz até uma fogueira.
Não, não te esqueci, virei tia.
Meu amor é atemporal.

* 62




Um amigo me falou esses dias
que o coração da gente só dorme quando se apaixona.
Ele fica ali, quietinho, numa vida sonho.
Mas sabe que eu tava aqui pensando
e acho que num é isso não.
A cada sorriso doce,
Abraço encaixadinho,
Barriga de borboleta,
Meu coração dá um pulo sobressaltado.
Como quem acorda com barulho.
E é isso mesmo,
a paixão toca uma música bem alta no corpo da gente.
E no meu peito, ela vive em sinfonia.
Mas isso não quer dizer que meu coração não dorme.
Ele dorme sim.
Afinal é tanta gente interessante
que não tem coração que aguente né?!
Uma hora ele quer descansar mesmo.
E esse meu amigo faz isso.
É uma pessoa carinho
que sempre transforma essa melodia louca dentro de mim,
em um jazz calminho e gostoso de dançar.
É quando uma parte do meu coração hiberna.
Quando a euforia vira amor.
E aí eu concordo, ele dorme meu coração.

* 61



Fiquei aqui pensando em tudo o que eu tenho a sorte de ter multiplicado na minha vida.

Passou o dia das mães e a minha Ana tava longe que dói.
Mas convite de almoço eu recebi vários. 
Em todo canto tenho uma mãe linda que me cuida.
Isso de amor de mãe se expande que cê nem imagina.

Outra coisa que tem mania de grandeza é a minha quantidade de lares.
Não são só casas avulsas não. 
São lares.
Onde eu tenho um espacinho especial que até cresce meu coração.
Todas as casas onde a Jana resolve morar, 
A sempre cheia da Cats e Eliná.
A minha que é da vó e de festas.
A da minha mãe que sinto falta à beça. 

E quando eu acho que já tenho alegria suficiente,
tem gente que me transborda mais ainda.
Amizades são esponjinhas que guardam tanta coisa boa...
Mas depois deu esmagar, elas se auto enchem de carinho.
Agorinha mesmo o Luiz chegou sem eu saber.
E nem eu achava que dentro de mim, tinha tanto amor pra caber.

Se fosse pra escolher uma reação à essa vida linda que eu tenho,
Seriam as florzinhas que a gente não quer que vão embora.


Mas pra você eu mando só coração. 
Não do vermelho não, porque esse todo mundo tem. 
O nosso é roxinho, de especial.
Assim como esse seu abraço que eu viro pérola. 
Isso nessa vida eu tenho só um. 
Mas porque não preciso de mais.

* 60




A respiração dele
reverbera no meu corpo.
Seu abraço me aconchega em sonho
e abraçada não quero mais nada.

Sua pele cetim
é feita do toque mais suave,
o da admiração.

Eles são lindos,
intensos,
são um.

Conjunto da mobília impecável que decora minha casa desejo.

São lindos,
dois universos.
Que separados causam medo.

São vinho, champagne,
charuto e ópio.
O calor e o frio.
E eu me deixo levar nesse rio.

Fazem cena,
me chamam pra atuar.
Sou apenas eu.
Algodão entre diamantes.

E entre todo esse receio e anseio,
fico no meio.
Sendo uma ponte macia para um amor liberdade.

E se forem?
Só não levam minha saudade.



* 59





Hoje estou todinha oceano.
Normalmente sou só uma parte,
mas hoje, eu sou só mar.
Ainda não encontrei minha praia particular.
Meu pedacinho de areia pra ancorar.

Você sabe bem o que é isso.
Sempre foi meu porto.
Agora só preciso de uma terra dentro de mim.
Algum lugar firme.

Aqui, hora ou outra acalma.
Mas agorinha mesmo tô dentro de uma onda.
Não em cima, como a gente fazia junto.
Mas tô dentro dela.
Meio me afogando meio me esforçando para enxergar algum coral bonito.

Estranho demais.
Agora pouco a gente surfava junto.
Mas a dor é assim mesmo.
Vem gigante, a gente dá uma engolida de água salgada, mas logo o mar fica tranquilo.

E eu acho que foi aí que eu virei oceano.
Quando tava tudo calmo eu sentei na prancha.
Fui devagarinho virando ela.
Tava animada pra ficar de pé mas a onda veio tão rápido.
A prancha virou.

Agora eu vejo, quando tudo acalma a gente não tem que sentar muito não.
A gente tem que estar pronto pra outra.
Afinal, quando o seu oceano tá quietinho,
o meu pode estar formando uma onda daquelas.

* 58


No dia em que ela não achava as chaves de casa
reparou na parede desbotada.
Ficou ali,
parada,
desanimada.

No dia em que ela perdeu as chaves de casa
ela parou.
Pensou em porque a parede desbotou.
Ignorou.

No dia em que ela jogou fora as chaves de casa
já tinha parado pra pensar.
Mas ainda assim
foi como se ela só tivesse imaginado o desbotado.
Não conseguiu mais ficar parada.

Quando ela trocou a fechadura é que ela foi entender.
Ainda estava tudo desbotado.
Mas mesmo colorindo por fora
ela ia precisar reformar lá dentro.

E leva tempo...

* 57

Nosso nascer de sol.

Lá no fundo,
Horizonte.
As silhuetas tomam forma.
E como os prédios se embelezando ao sol,
minha certeza se ilumina.
A liberdade de descobrir cada canto nosso
revela o mais intenso e puro dos sentimentos.
Vejo o céu azul escuro,
se render ao clarinho.
Ele vem de mansinho,
diferente de você.
Que chegou arrebatador
e ainda se apropriou de ser a estrela mais brilhante do meu céu.
Mesmo agora,
com esse amanhecer,
você faz manha.
E ela é meu convite pra ser sua
toda manhã.

E pra ficar mais e mais.

* 56





Hoje eu ouvi o som da terra.
Plantei flores com iniciais amor.
Entrei em contato com a força que me centra.
Minhas raízes, medos, minha paz interna. 
Reverberou nas decisões, paixões, angústias e certezas. 
Mergulhei em uma agenda que nunca tenho livre. 
A do meu particular. 
Obrigada Inhotim.
Obrigada por eu me enxergar mais.
Sua luz dourada e seu tempo inexistente me fazem sólida com leveza. 
Obrigada Inhotim, mas já quero mais. 
De você e de mim. 

* 55




Mesmo sabendo que você gosta,
nem de ladinho o sono me vem.

Minha coxa
procura um pedacinho gelado no lençol.
Mas o que ela deseja,
irremediavelmente,
é teu corpo quente.

Inventei pra mim que quero dormir
mas o licor de jabuticaba
insiste em refletir.

Ele queima meus pensamentos que já inundaram meu corpo.

A vontade apressada
encontra com a calma compassada de seu toque.
Desde a minha nuca
até o comecinho da calcinha.

Fico nua, sozinha.
E quando sinto a minha pele
já sinto a sua na minha.

Arranho com força a cama.

E pra abafar o grito,
no travesseiro aperto meu rosto.

Mas o que sinto são suas costas na minha unha,
e na boca o seu pescoço.

Me deixa roxa, deixa?
Pra combinar com o marcador permanente que usou no meu peito.

Vem cá hoje, vem?
Pra gente alimentar o insaciável.
Porque só você leva jeito.

* 54



Sutilmente,
a liberdade se prende em mim.

Leveza de estar presa.

Pouso sobre essa água refrescante que abraça minha consciência
E lentamente ela cobre meu corpo e minhas incertezas.

Sou mais inteira,
madura.

Conhecendo pouco a pouco esse rio.
Curiosa pra ver o mar no qual deságuo. 

Sou muitas. 
Poucos veem. 
Mas para os que vêm eu desabrocho. 

Vejo mais,
longe.
Olhar que se desdobra em mil horizontes. 

Agradeço!
E a cada dia,
mais me conheço. 


* 53

Rise

Preciso dela aqui
Arrancando a minha serenidade.
Instalando sua tristeza amarga
na minha rotina já deteriorada.

Eu quero ela aqui...
Destruindo as esperanças todas
e trazendo outras ainda mais utópicas.

Sim!

Não era ela que deveria ter desaparecido!
Mas essa pulsação constante e degradante.
Essa a qual chamam esperança.
Cega, que me deixa aqui a deriva
à espera.

Volte aqui!

Sentimento cansativo
que não se cansa.
Traga a minha vida de volta,
minha rotina de dança.

Sou completa com ela aqui.
Mesmo longe
Torna minh'alma azul pálido
sempre me acordando com um vazio angústia monstruoso.

Que não vivo mais sem (acho)

Mas sou eu que não a encontro
Estou cega, desesperada.
Ela escorre pelos meus dedos
e sou como se eu não tivesse mais nada.

Ela,

Vive no âmago
onde cravou as unhas e não sai.

Vive nas minhas incertezas,
que insistem em me pegar desprevenida.

Vive na minha insegurança,
que puxa meu tapete de liberdade.
Liberdade de me gostar,
Amar você,
Cuidar do amanhã,
Respeitar meu ontem.

Vive nas minhas mãos,
que suadas não seguram nada.

Vive nos meus dedos estalando,
onde o som atordoa meu sono.

A ansiedade prédio
mata aos poucos minha essência montanha.

Eu acho que gosto
Mas só me engano, com curiosidade.

Até onde vamos sem nossa própria liberdade?