* 47

Quarto iluminado e corpo macio.

Penso na estrada que ia ao sítio,
no açude,
nos "Vaga-lumes vem vem".
Catando formigas na rampa da garagem
e salvando as samambaias do quintal na hora do temporal.
Minha capa era amarela.
O patins de natal na frente da lareira...
Pena, só lembro da foto.

A memória por vezes na vida, se faz seletiva.

Seu carinho quente revigora do cansaço;
e a tristeza
por hora apaziguada
dá uma olhadinha pra fora.

De susto ela congela

Lentamente a matéria se acostuma com a realidade sonho.
Toda a pele é arrepio.

A roda gigante tão rápida que me sento
tem luzes trêmulas
que quase explodem em pó as pequenas lâmpadas coloridas.

Sol no ombro

Linhas tão impecáveis que até manchadas pelos meus olhos embargados são eternamente perfeitas.
O vôo nina meus horizontes e destes, não existe um só olhar que capte o final.
As gotas com o elegante preto
lavam a minha face radiante da mais pura e plena alegria.
Coração que não bate,
está perdido nas nuvens macias e finas
que quando tocadas pelo meu indicador ansioso e ávido
se fundem aos meus poros.
Sou céu.
E aquela pontinha brilhante da asa, meu farol.
Veias lá embaixo pulsam vida
e dão a mim uma nova.
Imensidão
minha
que abraço em um sorriso.






* 46

Eu te adoro assim, às 05h da matina.
Tão Tranqüila
Tão só minha
Tão vazia

Que meu corpo espaçoso se ocupa,
Se acha dono.

Você se faz caminho
Não admite atrasos.
Me alimenta a cada esquina.
E nesse lá acolá que me ensina
Te percorro dos pés à cabeça.

Europa, Brasil
Faria você toda
E se vejo que começa a se cansar
Ainda há Consolação.

Te quero assim, docinha
Brigadeiro.
Tão desimpedida
Tão sozinha
Tão cheia, mas só de si.

Me sinaliza
Pois em você eu danço.
Me traz encontros
Que pra gente eu canto...

E nesse seu teto solar
que hoje se esbalda de rosa
Só me atrevo a aproveitá-la pela manhã.

A noitinha tu és outra
Tu és louca
E não se vira.

Nem anda, nem canta, nem nada.

Tu és frouxa
é de todos
E não minha.

Lima,
Te quero de novo na madrugada.









* 45

Verão,
Coqueiro,
Banhada de pôr do sol.

Refresca meu colo que a tua saliva faz brilhar.

A água me traz em ondas
A lua nova que vem.
Impiedosa com o nosso choro
de perplexidade.
Deslumbre.

Aquele sorriso só nosso fixa para nunca mais
Sai do peito

Fica mais
Fico sempre.

Abraço apertado que saboreia o céu.
Experimenta um aumentar inexplicável de querer.
A velocidade arrepia.
Nos faz em um universo a parte.
Um nós que tem emoção de lua bordô.
Intrínseco.

De um lado da ponte sou só
                   do outro, você metade.

Céu que une,
Acalma

           Rosa dos ventos d'alma.

Fôlego que não existe.
Me faz mais mulher a cada alegria tua...
e a cada olhar que preenche os meus olhos.

Estou fora do eixo,
do meu eixo.
No seu eixo.
Na sua órbita. Translação.

E nesse frio
que só seu ombro pode esquentar.

Pois você continua firme,
arrepia poros.
Leva pra bem longe.

Sorriso incandescente, indecente, transparente...

Continua firme.
Me leva pra bem longe.


* 44

O intenso vai se apertar em meus poros
E o suor tenso não percorre mais minha pele.

Escorre somente o tesão pulsante do nosso sexo.

O poder do movimento é inexorável
E a sede pelo outro se torna obsessão.

Meus pulsos amarrados na cama sangram de prazer.

Tua voz macia e confiante m'engana
Teus olhos ansiosos m'enlouquecem
Tua boca faminta da minha cintura m'entorpece.

  Má
me seduz
  Má
me evolui
  Má
 me introduz
                          Num mundo surreal.

Nem quero saída desse plano orbital.

Teus dizeres me instigam
Tua calma me inquieta
Lancinante paixão.

Te quero assim bravo
Moreno de desejo
Ardente de praia
Querendo me querer.

Você precisa enlouquecer
E eu na nossa circular desço até o centro da Terra.



* 43

Quando a dor da perda queima,
quando o inaceitável nos atinge.

Vida efêmera, vida furacão.

Feroz é o chão se abrindo
e o inexplicável invade o peito.

Falta que faz de longe, vai um pouco de cada um.

Mas a essência e o amor se perpetuam.
a última dança,
o brilho do olhar,
garra pra lutar

Exemplos, pedestais, eternos pulsantes, vitais.

Gratidão da luz que fornecem até na escuridão da dor.

Vivo um pouco mais vazio
mas trago seu orgulho, seu ardor.


https://www.youtube.com/watch?v=O1ky7IEDxwU

* 42

Nos souvenirs

When I met you in the summer
to my heartbeat sound,
Você soube a palavra certa que eu desejei escutar.

You've got a secret smile
And you use it only for me.

Draw me a life line
Cause babe I got nothing to lose.

Don't wait too long...
Você é o segredo que eu vou desvendar.

When my day is done and I want to run away,
eu te chamo, eu te peço vem.

Ainda bem que eu encontrei você.

We're up all night for good fun,
cause your sex takes me to paradise.

But if you close your eyes,
one thing I've left to do;
discover me discovering you.

Dono dos meus olhos é você
And nothing else matters,

Você veio pra ficar.



1    https://www.youtube.com/watch?v=ebXbLfLACGM
2    https://www.youtube.com/watch?v=JnLr76wJ4ss
3    https://www.youtube.com/watch?v=kryV3E4QKGk
4    https://www.youtube.com/watch?v=X4YK-DEkvcw
5    https://www.youtube.com/watch?v=uTvpCep2QtE
6    https://www.youtube.com/watch?v=Q3L4spg8vyo
7    https://www.youtube.com/watch?v=tNaN0tmFqCc
8    https://www.youtube.com/watch?v=t7M89YJAPhM
9    https://www.youtube.com/watch?v=5NV6Rdv1a3I
10  https://www.youtube.com/watch?v=13oXf68zRcM
11  https://www.youtube.com/watch?v=F90Cw4l-8NY
12  https://www.youtube.com/watch?v=N5EnGwXV_Pg
13  https://www.youtube.com/watch?v=SzsDHtzx6tI







* 41

Visão obstruída
Nenúfares utópicas
Brilho de pupila que dilatada me chuta

Esbarra

                         Não existe luz
                         Mas clareza cega


Casca causa carga
Looping de ânsia
Ansio antro pó lógico
(Res) piro antropofágico
Fálico


Corpo que me molha
Desespero
Fúria que me vira
Atordoada
Quando imobilizada soluça

S a n g u e    r a s g a

Permaneço
Absorta
Ela estática
Na invejável derrota
Que em looping volta.

Inalcançável

Just want
"Pieces of glasses on me"
Back back

Sou um beco
Berro
Não sou voz
Belo
Sou só
Nem sou


* 40

Evito
Fujo
Impeço
Desvio
Refreio
Me bato
                                  Tudo que ele me faz
                                  É mais forte do que faço.
Preenche
Completa
Satisfaz
Inteira
Plenifica
Eu mordo

                                 Gosto
                                 E como gosto

Três dias sem e já te quero
Como faz?

Paro na soleira da porta
O perfume instiga
A boca saliva
Olhos que brilham de vontade.

                                
                                 Três dias já é contida?


Alguém abre pra mim
Nem o vejo
Sou guiada pelo desejo.

Penso em escolher um lugar
Boba
O de menos
Isso não dá.

O lugar se escolhe por si só.

Quando você vem devagar
O medo é que não seja meu
Mas esqueço
Hora ou outra será.

Te olho vidrada

Delicada 
passo lentamente o lábio vermelho
Como que para enfeitar

- mas a vontade é de devorar -

Seguro firme na tua carne quente
Nosso corpo se funde
Você me faz viva, 

Len  ta  men  te

Te quero até o final.



Sorriso lambuzado no rosto
A mais macia é a sua pele
Olhos verdes que sonho
O final me compele

                              
A mais
                              E mais

Há se volto
Volto sim.
Volto pra diversificar!
Mas quero experimentar todos.
Todos são pra mim.


        Ao homem que apresenta 
                          um novo significado às minhas palavras.




* 39

Olho pra frente e o azul do céu é cortante de fôlego.

Ando lentamente
Cérebro desorganizado.

O plissado esvoaça animado
querendo brincar.
As mãos inquietas batucam o corpo.
Flutuo no concreto de neblina que massageia meus pés descalços.
A noção do espaço me é reinventada.

Você amplia
Esvazia.

E o azul lá da frente do céu
quando olho pra cima
envolve meus olhos
e estes mergulham no anil.

Estou no céu
Já estou (...)

Você estende aquele lençol que paira no ar
Só quero deitar
e me fundir com os Mil fios de abraço.

Sonho de não acordar
e quando abro minh'alma mesclada de céu
teu gosto é nuvem alva.

Da janela a gente assiste o dia dar voltas.

                  E quando acaba a glicose a gente faz amor.
                                                              que esse não tem fim.



Você me passa a bebida
Passo a mão no seu cabelo.

O sol colore sua coxa
E nossa alegria tem formato de lua cris.

Horas de silêncio só nosso
Infindáveis suspiros no silêncio conjunto
Daqueles que a conversa é hora com o coração
hora com o suor.

Pele corada,
Descansada,
Arroxeada.
                         
   
                             Refeita. Férias são sempre o melhor remédio.





* 38

O quanto cresço da dor
O máximo posso de cor.

A vida discorre de lágrimas
de risos.
Lágrimas de risos.
Uma fonte de água
Pesada (...)

Por vezes o vento bate e as gotículas brilhantes flutuam com paz.

                                                                                                  Transformando a existência em brisa.





Escolho a extensão indefinida favorita da semana,

A duodécima parte mais sedutora do dia,

O primeiro conceber fabuloso da manhã,



 dançando com angústia os torno ponte

          E de Tudo Crio Alegria








* 37

Aquele rosa choque
contrastava com os estalidos das agulhas nos meus músculos.
As ondas curtas
me paralisam num sono mole
Mas o metal perfurando a pele me mantém desperta.
Quando confiscam meus documentos apresso meu coração para que também não seja roubado;
mas o fazem de tal forma que não é o medo que me visita mas a ansiedade.

Depois do primeiro dia de experimento
Sou eu quem deixa a identidade estirada no balcão gelado.
Vazio no estômago.

Celulares em off e todos os ali paralisados, como eu, voltam a se olhar.
Dali a cumplicidade surge como pérola em ostra.
Sabemos, num momento de suspiro, que estamos entrelaçados por algo vital, contínuo, pulsante.

Me deito e o calor efêmero percorre minhas veias.
O céu lilás me embala; relaxo.
A boca macia se abre levemente e o cabelo escorre pelo busto.
Sou toda deles.
O vento que acaricia de leve meu rosto, me diz onde é o estar real.
Mas as árvores na janela me levam para um bosque de ilusão, delicada e particular.
O meu novo axioma.

Me mudam abruptamente de lugar e agora a frequência é devastadora.
Imagino a árvore mas o cubículo não tem uma fresta sequer.
Aqui se você grita o som ecoa.
A solidão é um caixote pregado na nossa própria carne
e o que mais arde não são os pregos mas a própria mão ter martelado.
Penso que espero.
Mas meu corpo não me responde mais.
É lento e degradante.
Ainda assim o derretimento não impede que eu me arraste.

Fios vermelhos e pretos, embolados, me confundem.
Mas me lembro do jaleco aumentando minha náusea.
Quebro o vidro à vácuo e a mão congelada desliga!
O ar do meu peito cessa.
Sufoco.

Alarme ... soco ... desmaio.

Tudo é penumbra
a luz que conhecia era incandescente.
In decente.
Desço ao fim.

 E a janela com árvore é um simples mimetismo da alegria.






* 36

Pele macia,
Pintinhas,
Boca gostosa,
Na minha.

Jasmim que deixa trôpega
Num balanço de desejo
Ardente, que desperta,
Assim, num só beijo.

Assobia de longe
Bem escondidinho
Desconserta num sorriso
Des Constrói meu caminho

Faz que nem chega
Mas se apossa
Do cabelo da cintura
Compasso de Bossa

Me deita de leve
Aconchega minha'lma
Cuida do choro
E reconstrói a calma.

*35

De cá eu quero mais é ir
Sentir o que não acho aqui
Ele nunca quer.

Quando escancarada
A alma imerge
E a outra
Âncora
Vai

Vivo de pontos coloridos - indecisos
A outra de picos instáveis - não confiáveis.

O tempo quem cria é você.
Molda.
Alegria é o desfrutar.
Não volta.

De cá eu quero mais é ir
Não sentir o que sinto aqui.
Ele nunca quer.

Quando destroçado
Ele imerge
E o outro...
não sei.

Cada um querendo se engolir.





* 34


A primeira coisa que me vem
quando acordo
é o frio do só dentro de mim
É o ar que sobra ao meu lado
e que falta no peito.
A dor que me adormece olhos
e desperta só mais dor.
(Só a vontade de nada sentir).


O beijo desesperado que tenta ser o melhor e mais longo na frente do portão.

O abraço que deseja se fundir e nunca esquecer o cheiro do cabelo.

O olhar que espera não ser o último
mas se for
que seja o que capte a essência e não só a imagem.

O bater de porta que espera já daqui a pouquinho o abrir inesperado
- que sempre se espera.

Me vem no estômago em turbilhão
Escuro e gelado
Em ânsia
Que esquenta com a lembrança
do beijo no portão.

*33

Impelida
enchente límpida.

Braços longos se desfazem mas não aprendem.
Pulso sangue
Que não sacia
Latente eu que impera.
Mando, nasço
A cada corte que me faço - e gosto.
Necessito de ímpeto, vida
Ânimo, dança.
Sou o palpitar expurgante
Seleciono e condeno as pinceladas de desejo
às espero.. se não vêm às trago.

Viro bicho
Viro célula
Viro átomo que vai no sopro maleável e entregue
Toda carne se fundi no ritmo
e sou núcleo.

Poros molhados no máximo auge
Auge do nu.
Quero mais a cada palma - grito - punho.
Corte sangue - Anticristo.
Sou pluma, movimento que perpetua...

                                 Essa graça de estar só
                                 Ser mais
                                 Poder quaisquer tudo

O gigante de luz reluz.
E sou bomba
Estou explosão
Vejo universo
Faço vida...
Cordão criado para ser cortado
Sou o cume de pó.






*32

Assumpção

Suor
A reflexivo
Suspiro
In controlável
Choro som
I regular
Sou.

Camadas crosta que me obrigam voltar
In peço
Aqui. Fica. Pára.

In pulso
E puxa em vão

Cor brilha
Êxtase
               
                         A teia encobre
                         Se incrustra
                         Nebula...

Mas não há mais
A mais
Implode
É
   Enorme Ímpar