* 21

Paraísos Artificiais

Latejante e ardente,
passa como um imã;
e joga num mar de angústias
coloridas de um azul marinho único,
mas capaz de te apagar.
A iluminação acolhe, real.
O piano embala cortante
em repiques ilógicos.
Lágrimas vermelhas caem por toda a face,
de ódio, de descontrole.
Não dá mais pra remeter: um filho ficou;
mas trás o poder de cura.
Sim, família tem volta sim.
Estamos vivos. Latentes em amor.
Dor corta para renovar.

* 20

No frenesi queria uma por dia.
Temi o vício e passei pra de dois em dois.
Me veio que sete era um bom intervalo,
e assim o fiz.
Agora, já com quinze dias de ócio,
vejo que blogs são tendenciosos à férias.
Saem de mansinho e quando você se dá conta
Puff
Passou um tempão e ele não voltou.
Toda cautela é pouca.
O pensamento domina as palavras
tão rápido que é.
E apesar de bem dentro de mim
se esconde na imensidão de caixinhas que sou.
De música.
De Pandora.





* 19

Sabe que não ligava não
de você atravessado em minha vida?
Mas o que gostaria mesmo,
é daquele juntinho atravessado em minha cama.
Meu olhar cruzando o seu,
era espelho.
Conhecia a mim mesma.
Agora na poeira,
com frio cortante nos lábios,
sinto minha falta.
Mas você atravessar nessa areia movediça que estou
era suicídio mesmo.
O docinho todo
agora me vem em lembrança.
Intensa.

*17

A folha seca me segue barulhenta.
Penso que uma teia a prende em meu pé.
Mas é só a brisa
Que não me quer em silêncio.