*23

Quando o grito
Fala mais alto que a esperança.
E o medo de ficar
É o impulso pra correr.
Me viro do avesso
Mas a calma é torta,
Aquele preço já não vale mais.
Ser feliz não é ser morna
A energia eufórica me satisfaz.
A calma me alimenta.
Mas o tanto faz desorienta.

*22

A lâmina pontiaguda
entra na unha, já negra.
Chuva lenta e interminável.
A morte que o sustentava,
agora amedronta.
O que instigava era o controle,
perdido.
As extremidades são infinitas
mas não se pode ver.
O abismo 
nele se instala.
Retumbante.