No dia que comprei seu vasinho, que agora chamo de nosso,
tinha uma máquina de escrever na loja.
Cê lembra? Te mandei foto.
Eu não sou a melhor em datilografia,
mas te escrever na máquina me pareceu romântico.
Só escrevi um carinho bobo, mas devia ali já ter me declarado.
Minha cabeça tinha finalmente concordado com o coração.
Sabe, não sei ao certo onde estamos.
Não sei direito se é possível termos nos encontrado assim,
tão sem pretensão,
e já termos nos encontrado.
Eu livre e você todo seu.
E agora, esse nós.
Que irradia forte de um jeito, que parece ter sido feito sob medida, com régua.
A individualidade dos dois, plena.
Com a construção do nós, forte.
Como se tivéssemos nascido pra isso,
sermos nós mesmos e melhores ainda quando juntos.
E mesmo não sabendo direito onde estamos, já sei que é o melhor caminho.
Uma escadaria de momentos com direito a tudo quanto é sentimento.
E em cada um deles, nossas mãos se entrelaçam ainda mais.
E de mãos dadas a gente já sabe, vamos cada vez mais alto.
Olhando nos olhos pra não olhar pra baixo.
Até porque, se a gente deixa de olhar, ele deixa de existir.
Onde estamos, talvez seja onde a maioria tá querendo chegar.
Pedindo em casamento,
criando animais de estimação,
tendo bebês.
Mas nós simplesmente estamos.
Foi nossa vantagem.
Não tentamos nada para estarmos.
“Acho que é a nossa vez de ser feliz”.
* 73
Eu tava injuriada,
irritada,
despreparada pra tudo aquilo.
Não fazia sentido tanta ansiedade,
insegurança,
desconfiança.
Perdia meu tempo com cabelos no ralo,
louça mal lavada.
Ou então uma simples voz que ela achava que não era a minha.
Mas era.
Era a minha praquele momento,
praquela insatisfação,
pra você, mulher.
Não tenho mais estômago,
mais paciência,
mais ânimo pra vibrar com sua alegria.
Porque a minha se esvaiu.
Evaporou.
Naquele banho que tomamos juntos mas cê tava longe.
Naquela demora que impediu meu gozo,
minha calma.
Tua vida ao meu lado.
Você acha que é tudo muito simples,
mas vive complicando.
Falar as coisas tem sido muito fácil.
Fácil falar sorrindo, um sorriso falso.
Eu me canso, mas você não vê.
Escondo.
Me escondo de quem de fato me tornei.
Fujo da liberdade como se essa, fosse a resposta pra minha solidão.
Mas não é você não.
Sou eu.
Desculpa, mas hoje fico sozinha.
Sem culpa, só quero ser sozinha
Não me culpe, sei que você já sabia.
Só mais um dia em que não estive
Eu me perco nas cenas que nunca vivi.
Mesmo nas minhas próprias,
que vivo de passagem.
Paro pra te ver.
Não aguento.
Não pertenço.
Me viro.
Sua pele encosta de leve,
nas minhas costas nuas.
Quase tão leve,
como eu toco esse momento.
Bicos pontudos,
de um sexo vencido pelo cansaço,
instigam meu desejo interminável.
Plantas te protegem do sol,
e desenham na sua coxa,
que entrelaça meu quadril.
O vento se encarrega da trilha,
e encoraja seus cabelos,
numa dança lenta.
Um campo se infinda sob os meus olhos.
O vestido amarelo no chão da varanda,
se mistura com ele.
Uma abelha se confunde,
e vem cá.
Talvez atraída pelo seu jeito que ficou no vestido.
Uma doçura que nunca tive.
Você estende a mão.
Seguro a garrafa.
Por um instante desejo testar a vida.
Mas só te entrego a saciedade da sede.
Mesmo nas minhas próprias,
que vivo de passagem.
Paro pra te ver.
Não aguento.
Não pertenço.
Me viro.
Sua pele encosta de leve,
nas minhas costas nuas.
Quase tão leve,
como eu toco esse momento.
Bicos pontudos,
de um sexo vencido pelo cansaço,
instigam meu desejo interminável.
Plantas te protegem do sol,
e desenham na sua coxa,
que entrelaça meu quadril.
O vento se encarrega da trilha,
e encoraja seus cabelos,
numa dança lenta.
Um campo se infinda sob os meus olhos.
O vestido amarelo no chão da varanda,
se mistura com ele.
Uma abelha se confunde,
e vem cá.
Talvez atraída pelo seu jeito que ficou no vestido.
Uma doçura que nunca tive.
Você estende a mão.
Seguro a garrafa.
Por um instante desejo testar a vida.
Mas só te entrego a saciedade da sede.
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