Que percorre meu ar
e dança apressada na luz.
Como milhares de agulhinhas,
molha aos poucos minha pele.
Que à vontade,
experimenta o asfalto vazio.
As irregularidades
massageiam meus pés descalços,
que regulam um desequilíbrio sufocado.
Suas mãos em meu pescoço.
Mesmo em outro plano.
E nossos planos imitam a garoa.
Efêmeros e levemente pontiagudos.
Passo os dedos pelo carro,
refresco minha nuca febril.
O ardor me faz falta.
Quando esquento, queimo.
Quando me molho, mergulho.
Sua ausência
me faz esquecer de lembrar de você.
Nosso sexo fica opaco.
Meu esforço, preguiçoso.
Corpo molhado por inteiro.
O banho te lavou da minha pele.
Te levou de mim.

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