* 50

Me congelo num sonho 
Sonho de rotina 
Sol no meu corpo nu 
A cama macia me protege 
Espero o almoço e meu amor voltar.

John me mostra Clarity
E agora colho diamantes 
Minha companhia é profunda 
Inquieta 
Mas a congelo num eterno utópico 

Me quero 

Sol do meu corpo nu 
Aqueço a cama
Não quero esperar, quero agora.
Ele me mostra que sou maior que meu corpo 
Meus medos se despetalam

Sou minha 

Mas me diz o que falta! 
Me entender demora e quero agora.
Estou iluminada, viva.
O que posso querer? 

Vem, 
Volte pra cama, 
quero escutar a luz do dia 
no seu peito. 
E quem sabe vislumbrar o que falta...

Serei sua
Por agora 
Serei só uma Julia. 

Eu termino, 
mas não me deixe ir.
Não pare de lutar por mim.

Ainda assim me vou. 

Minha cama me cuida 
E, mesmo esgotada de choro, 
sou mais feliz comigo mesma. 
Meu sol é forte.
E não é em torno de você, 
mas dele, que giro. 

Sei colorir meu mundo.
Mas no meu labirinto
Cada parede é de uma cor. 

Meu único coração 
Só me faz voar 
E quanto mais eu amo
Mais amor eu tenho

Nessa minha cama às vezes chove 
Mas só sinto o arco íris. 



Inspirado em:

Heavier Things - John Mayer

* 49

Balão que se destaca no azul
de se perder de vista.
Leve por ser inacabado,
Transparente e envolto em andaimes.
Estes, me levam aos céus. 

No ritual da rotina homens são padronizados.
Nos misturamos no azul.

Entre lapsos e vácuos a matéria morta se torna mais lar que o fogão que combina com o botijão.

Os gritos e choros não são ouvidos e a quentinha preenche a falta de perspectivas.
Ninguém vê.
Sinto o ímpeto de me afogar no azul.
A entrada chama sempre de serviço
mesmo que eu esteja de visita.
Olhares não encontram os meus,
se abaixam.
Minhas mechas não obedecem.
Entendem mais a liberdade que a sociedade.
Esta, se sente azul.

Quero mudar esse concreto todo que polui a minha vista.
Quero derrubar essa parede sólida de preconceito que só não estremece a minha fé, azul paz.

Conhecer o meu sorriso tão lindo quanto qualquer outro.
O desejo é de arrancar minha roupa carne e vestir a minha alma.

Os navios ainda existem
Mas hoje as velas são tela fachada,
pra segurança nossa.
E eu ainda acreditando que segurança tinha a ver com lápis e não telas.

Me agarro então, ainda mais nessa jornada.
Para que Joana se veja diante da tela, mas de cinema.
Para que Pedro conheça a de pintura.
E talvez, João se descubra TI na do computador.

Um futuro azul, sabe?!
Longe sim, mas possível.