* 34


A primeira coisa que me vem
quando acordo
é o frio do só dentro de mim
É o ar que sobra ao meu lado
e que falta no peito.
A dor que me adormece olhos
e desperta só mais dor.
(Só a vontade de nada sentir).


O beijo desesperado que tenta ser o melhor e mais longo na frente do portão.

O abraço que deseja se fundir e nunca esquecer o cheiro do cabelo.

O olhar que espera não ser o último
mas se for
que seja o que capte a essência e não só a imagem.

O bater de porta que espera já daqui a pouquinho o abrir inesperado
- que sempre se espera.

Me vem no estômago em turbilhão
Escuro e gelado
Em ânsia
Que esquenta com a lembrança
do beijo no portão.

*33

Impelida
enchente límpida.

Braços longos se desfazem mas não aprendem.
Pulso sangue
Que não sacia
Latente eu que impera.
Mando, nasço
A cada corte que me faço - e gosto.
Necessito de ímpeto, vida
Ânimo, dança.
Sou o palpitar expurgante
Seleciono e condeno as pinceladas de desejo
às espero.. se não vêm às trago.

Viro bicho
Viro célula
Viro átomo que vai no sopro maleável e entregue
Toda carne se fundi no ritmo
e sou núcleo.

Poros molhados no máximo auge
Auge do nu.
Quero mais a cada palma - grito - punho.
Corte sangue - Anticristo.
Sou pluma, movimento que perpetua...

                                 Essa graça de estar só
                                 Ser mais
                                 Poder quaisquer tudo

O gigante de luz reluz.
E sou bomba
Estou explosão
Vejo universo
Faço vida...
Cordão criado para ser cortado
Sou o cume de pó.






*32

Assumpção

Suor
A reflexivo
Suspiro
In controlável
Choro som
I regular
Sou.

Camadas crosta que me obrigam voltar
In peço
Aqui. Fica. Pára.

In pulso
E puxa em vão

Cor brilha
Êxtase
               
                         A teia encobre
                         Se incrustra
                         Nebula...

Mas não há mais
A mais
Implode
É
   Enorme Ímpar