* 64
Quando você passou por mim hoje cedo,
meus olhos te seguiram ansiosos.
Encontraram sua bochecha rosada,
sua nuca branquinha,
seu ombro delicado
e uma cintura que sei bem,
encaixa direitinho na minha mão.
Quando meu deslumbre só crescia,
uma haste ciumenta de óculos
bloqueou a minha visão.
Você ficou no meu ponto cego.
E eu, cego de paixão.
* 63
Hoje, olhando o balanço do mar,
lembrei do quanto você me balançou.
Me veio aquele cheiro de sal na boca
e por algum tempo, não enxerguei.
Parecia até que a expressão marejada
tinha sido inventada só praquele momento.
Hoje, com o vento frio na minha nuca,
pensei no quanto teria sido bom
se você não tivesse desistido de esquentar meu coração.
Me veio um arrepio de mágoa
e senti que o gelo que você me deu foi até a alma.
Percebi só, que eu não queria ter percebido nada.
Hoje, sentindo a areia áspera na minha mão,
me doeu quando vi o grão sumindo tão rápido
quanto você me desapareceu da sua vida.
E entendi que esperava sozinha
você me trazer de volta.
Hoje, com essa lua sorriso,
acabei lembrando que eu não sorria assim com você
e que talvez a sua falta
era só um desespero da minha solidão.
Sua ansiedade me incomoda.
Suas histórias se repetem
e seus problemas não me interessam não.
Só hoje, o alívio me brilhou os olhos.
A leveza me flutuou em mim mesma.
O peito acalmou,
a maré parou de puxar.
Hoje, nessa praia,
o balanço levou a Clarinha bem alto.
Teve castelo de areia e fiz até uma fogueira.
Não, não te esqueci, virei tia.
Meu amor é atemporal.
* 62
que o coração da gente só dorme quando se apaixona.
Ele fica ali, quietinho, numa vida sonho.
Mas sabe que eu tava aqui pensando
e acho que num é isso não.
A cada sorriso doce,
Abraço encaixadinho,
Barriga de borboleta,
Meu coração dá um pulo sobressaltado.
Como quem acorda com barulho.
E é isso mesmo,
a paixão toca uma música bem alta no corpo da gente.
E no meu peito, ela vive em sinfonia.
Mas isso não quer dizer que meu coração não dorme.
Ele dorme sim.
Afinal é tanta gente interessante
que não tem coração que aguente né?!
Uma hora ele quer descansar mesmo.
E esse meu amigo faz isso.
É uma pessoa carinho
que sempre transforma essa melodia louca dentro de mim,
em um jazz calminho e gostoso de dançar.
É quando uma parte do meu coração hiberna.
Quando a euforia vira amor.
E aí eu concordo, ele dorme meu coração.
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