* 28

Meus olhos se confundiam,
mas era sim uma menina.
Já longe ia na colina, de relva tão verde que incomodava.
Chorava de soluçar
e eu podia sentir a sua angústia mesmo com tal distância.
Uma dor pulsava nova
vivida e adquirida a pouco.
Mas ela bem gostava,
a dor a mantinha.
Tive inveja;
minhas mãos tremeram querendo tocar aquela paisagem,
senti la.
Foi quando lá, no alto da colina,
ela
era eu.
Fugindo desesperadamente de mim mesma
e saboreando tão gostosa fúria de controle.
Sim, porque no controle não contém paz;
somente uma fúria empacotada chamada poder.
A fuga do real nos venda de um brilho
que acaricia as pálpebras
e ao mesmo tempo as pressiona, aprisiona.
Pânico repentino deste sangue em minha roupa
Eu preciso me lavar
Da minha própria sujeira.
Corpo purificado para uma alma tão resplandescente
Vitoriosa.
Rastejando na relva, me renovava.
Instinto animal invadindo,
preciso.
A razão do irracional, coletivo.
Fazer o desejo de muitos.
Cortar o vidro família e estilhaçar o cordão sangue.
Romper com sorrisos e amabilidade obrigados.
Com o tabu do pessoal descaso familiar.
Pai, infelizmente já havia ido, não tive o gostinho.
Mas meus irmãos foram um por um.
O mais novinho, tão pacífico, quase que fez por si só.
A suavidade me instigou a encontrar o ardor.
Continuei com avidez e rasguei o véu da minha própria hipocrisia.
Matei.
A completude me invadiu.
A expansão gigantesca do ser já não cabe em mim.
É necessário passar adiante, progredir.
E agora violar a mim mesma, transgredir.