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São Bento

O fundo era todo azul.
Me sentia no céu.
O vento forte deixava meu corpo marcado pelo vestido solto.
O álcool me fazia sorrir.
A mente, voar.
Parei e ajustei meus pés bem pertinho das bolinhas amarelas.
Tava falando que eu não podia ultrapassar.
Quase que não resisto.
A morte é nossa única certeza.
É o que dizem.
Eu tenho mais uma.
A de que na minha vida
meu coração nunca vai parar de se apaixonar.
Inquietude parece ser sua maior característica.
Sentei depois de três estações de pé.
Abri as páginas que estavam me chamando há horas.
Eu não tinha tido tempo pra ler antes.
Teve café, passeio, conversa, centro, picolé,
muita história que queria atenção.
Muita história gostosa que eu queria dar atenção.

O homem no livro combinava com minhas unhas descascadas.
Gritava:
"- Vai maridinho, vá para o seu lar. E gargalhava.
O maridinho se sentiu um idiota.
- Vai maridinho de merda."

Minha unha tava uma merda mesmo.
Mas eu me sentia bem.
Tive mais certeza de que não quero nunca um "maridinho".
Aquele vento na escada rolante
tinha levado pra longe
qualquer sentimento ruim.