* 55
Mesmo sabendo que você gosta,
nem de ladinho o sono me vem.
Minha coxa
procura um pedacinho gelado no lençol.
Mas o que ela deseja,
irremediavelmente,
é teu corpo quente.
Inventei pra mim que quero dormir
mas o licor de jabuticaba
insiste em refletir.
Ele queima meus pensamentos que já inundaram meu corpo.
A vontade apressada
encontra com a calma compassada de seu toque.
Desde a minha nuca
até o comecinho da calcinha.
Fico nua, sozinha.
E quando sinto a minha pele
já sinto a sua na minha.
Arranho com força a cama.
E pra abafar o grito,
no travesseiro aperto meu rosto.
Mas o que sinto são suas costas na minha unha,
e na boca o seu pescoço.
Me deixa roxa, deixa?
Pra combinar com o marcador permanente que usou no meu peito.
Vem cá hoje, vem?
Pra gente alimentar o insaciável.
Porque só você leva jeito.
* 54
Sutilmente,
a liberdade se prende em mim.
Leveza de estar presa.
Pouso sobre essa água refrescante que abraça minha consciência
E lentamente ela cobre meu corpo e minhas incertezas.
Sou mais inteira,
madura.
Conhecendo pouco a pouco esse rio.
Curiosa pra ver o mar no qual deságuo.
Sou muitas.
Poucos veem.
Mas para os que vêm eu desabrocho.
Vejo mais,
longe.
Olhar que se desdobra em mil horizontes.
Agradeço!
E a cada dia,
mais me conheço.
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