* 63


Hoje, olhando o balanço do mar, 
lembrei do quanto você me balançou.
Me veio aquele cheiro de sal na boca
e por algum tempo, não enxerguei.
Parecia até que a expressão marejada
tinha sido inventada só praquele momento.

Hoje, com o vento frio na minha nuca,
pensei no quanto teria sido bom
se você não tivesse desistido de esquentar meu coração.
Me veio um arrepio de mágoa
e senti que o gelo que você me deu foi até a alma.

Percebi só, que eu não queria ter percebido nada.

Hoje, sentindo a areia áspera na minha mão,
me doeu quando vi o grão sumindo tão rápido
quanto você me desapareceu da sua vida.
E entendi que esperava sozinha
você me trazer de volta.

Hoje, com essa lua sorriso,
acabei lembrando que eu não sorria assim com você
e que talvez a sua falta
era só um desespero da minha solidão.


Sua ansiedade me incomoda.
Suas histórias se repetem
e seus problemas não me interessam não.

Só hoje, o alívio me brilhou os olhos.
A leveza me flutuou em mim mesma.
O peito acalmou,
a maré parou de puxar.

Hoje, nessa praia,
o balanço levou a Clarinha bem alto.
Teve castelo de areia e fiz até uma fogueira.
Não, não te esqueci, virei tia.
Meu amor é atemporal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário