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Quarto iluminado e corpo macio.

Penso na estrada que ia ao sítio,
no açude,
nos "Vaga-lumes vem vem".
Catando formigas na rampa da garagem
e salvando as samambaias do quintal na hora do temporal.
Minha capa era amarela.
O patins de natal na frente da lareira...
Pena, só lembro da foto.

A memória por vezes na vida, se faz seletiva.

Seu carinho quente revigora do cansaço;
e a tristeza
por hora apaziguada
dá uma olhadinha pra fora.

De susto ela congela

Lentamente a matéria se acostuma com a realidade sonho.
Toda a pele é arrepio.

A roda gigante tão rápida que me sento
tem luzes trêmulas
que quase explodem em pó as pequenas lâmpadas coloridas.

Sol no ombro

Linhas tão impecáveis que até manchadas pelos meus olhos embargados são eternamente perfeitas.
O vôo nina meus horizontes e destes, não existe um só olhar que capte o final.
As gotas com o elegante preto
lavam a minha face radiante da mais pura e plena alegria.
Coração que não bate,
está perdido nas nuvens macias e finas
que quando tocadas pelo meu indicador ansioso e ávido
se fundem aos meus poros.
Sou céu.
E aquela pontinha brilhante da asa, meu farol.
Veias lá embaixo pulsam vida
e dão a mim uma nova.
Imensidão
minha
que abraço em um sorriso.