De mãos dadas

No dia que comprei seu vasinho, que agora chamo de nosso,
tinha uma máquina de escrever na loja.
Cê lembra? Te mandei foto.
Eu não sou a melhor em datilografia,
mas te escrever na máquina me pareceu romântico.
Só escrevi um carinho bobo, mas devia ali já ter me declarado.
Minha cabeça tinha finalmente concordado com o coração.
Sabe, não sei ao certo onde estamos.
Não sei direito se é possível termos nos encontrado assim,
tão sem pretensão,
e já termos nos encontrado.
Eu livre e você todo seu.
E agora, esse nós.
Que irradia forte de um jeito, que parece ter sido feito sob medida, com régua.
A individualidade dos dois, plena.
Com a construção do nós, forte.
Como se tivéssemos nascido pra isso,
sermos nós mesmos e melhores ainda quando juntos.
E mesmo não sabendo direito onde estamos, já sei que é o melhor caminho.
Uma escadaria de momentos com direito a tudo quanto é sentimento.
E em cada um deles, nossas mãos se entrelaçam ainda mais.
E de mãos dadas a gente já sabe, vamos cada vez mais alto.
Olhando nos olhos pra não olhar pra baixo.
Até porque, se a gente deixa de olhar, ele deixa de existir.
Onde estamos, talvez seja onde a maioria tá querendo chegar.
Pedindo em casamento,
criando animais de estimação,
tendo bebês.
Mas nós simplesmente estamos.
Foi nossa vantagem.
Não tentamos nada para estarmos.
“Acho que é a nossa vez de ser feliz”.

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