Só mais um dia em que não estive

Eu me perco nas cenas que nunca vivi.  
Mesmo nas minhas próprias,  
que vivo de passagem. 
Paro pra te ver. 
Não aguento.  
Não pertenço. 
Me viro.  
Sua pele encosta de leve,  
nas minhas costas nuas.  
Quase tão leve, 
como eu toco esse momento.  
Bicos pontudos, 
de um sexo vencido pelo cansaço,  
instigam meu desejo interminável.  
Plantas te protegem do sol, 
e desenham na sua coxa, 
que entrelaça meu quadril.  
O vento se encarrega da trilha, 
e encoraja seus cabelos, 
numa dança lenta. 
Um campo se infinda sob os meus olhos. 
O vestido amarelo no chão da varanda,  
se mistura com ele.  
Uma abelha se confunde, 
e vem cá.  
Talvez atraída pelo seu jeito que ficou no vestido. 
Uma doçura que nunca tive. 
Você estende a mão.
Seguro a garrafa. 
Por um instante desejo testar a vida. 
Mas só te entrego a saciedade da sede.

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