* 74

Paro diante da porta.
A mão hesita.
Olho pra maçaneta e vejo meu reflexo.
Distorcido.

Será que é dessa forma que tenho me visto?

Pela fresta, os 7 graus se manifestam.
Imagino minha canela se transformando em picolé.
Você iria gostar dessa ideia,
mais parecida com o que acha de mim.
Fria.
Imagino as pessoas na rua,
assustadas com a minha imagem sem forma.

O quanto de dentro você transparece por fora?

Olhares congelados
grudando na minha alma.
Como gelo que cola na pele. 
Não sei até onde eu consigo disfarçar
essa minha confusão turva.

Pela terceira semana consecutiva,

sento no sofá colocando a culpa no frio.

Um comentário:

  1. Sei que foi escrito a algum tempo e que, tampouco te conheço, porém, cheguei a seu blog. E que maravilhosa poesia. Esplêndida.

    Boa noite guria, que estejas bem.

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