Aquele rosa choque
contrastava com os estalidos das agulhas nos meus músculos.
As ondas curtas
me paralisam num sono mole
Mas o metal perfurando a pele me mantém desperta.
Quando confiscam meus documentos apresso meu coração para que também não seja roubado;
mas o fazem de tal forma que não é o medo que me visita mas a ansiedade.
Depois do primeiro dia de experimento
Sou eu quem deixa a identidade estirada no balcão gelado.
Vazio no estômago.
Celulares em off e todos os ali paralisados, como eu, voltam a se olhar.
Dali a cumplicidade surge como pérola em ostra.
Sabemos, num momento de suspiro, que estamos entrelaçados por algo vital, contínuo, pulsante.
Me deito e o calor efêmero percorre minhas veias.
O céu lilás me embala; relaxo.
A boca macia se abre levemente e o cabelo escorre pelo busto.
Sou toda deles.
O vento que acaricia de leve meu rosto, me diz onde é o estar real.
Mas as árvores na janela me levam para um bosque de ilusão, delicada e particular.
O meu novo axioma.
Me mudam abruptamente de lugar e agora a frequência é devastadora.
Imagino a árvore mas o cubículo não tem uma fresta sequer.
Aqui se você grita o som ecoa.
A solidão é um caixote pregado na nossa própria carne
e o que mais arde não são os pregos mas a própria mão ter martelado.
Penso que espero.
Mas meu corpo não me responde mais.
É lento e degradante.
Ainda assim o derretimento não impede que eu me arraste.
Fios vermelhos e pretos, embolados, me confundem.
Mas me lembro do jaleco aumentando minha náusea.
Quebro o vidro à vácuo e a mão congelada desliga!
O ar do meu peito cessa.
Sufoco.
Alarme ... soco ... desmaio.
Tudo é penumbra
a luz que conhecia era incandescente.
In decente.
Desço ao fim.
E a janela com árvore é um simples mimetismo da alegria.
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