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O maior erro é não se ouvir.
Vivemos aprisionados a verdades impostas e a voz das almas se calou.
A inquisição moderna superou a igreja e a intolerância está em cada canto dessa prisão imunda, na qual transformamos o mundo.
Ratos asquerosos tentam roer o que nos resta de cordas vocais, tentam arrancar o que nós temos de ação, despedaçar as retinas dos nossos olhos. Tudo isso contra a nossa vontade dita, mas com a nossa permissão muda.
Percebemos com desespero que os decretos que representam nosso futuro, saem de lábios grotescos que elegemos com nossa própria palavra. E mesmo que velas sejam acesas como que em formato de nossa caridade, elas não nos salvariam nem que incinerassem o parlamento.
Me perco na angústia da minha vida morna.
Me pergunto onde deixei a força pulsante de liberdade que eu perseguia quando mais nova.
Meu corpo trêmulo decide não mais viver e debruçada no poço de minha consciência encontro a sede pela luta.
E a primeira luta é a que travo contra mim mesma. Meus próprios tabus, preconceitos, vergonhas e maldades.
Me esforço para respirar, estou oprimida, sufocada. Com medo de dar um passo para a mudança.
Meus olhos marejados querem inundar a seca dos sertões, a minha fome saciada quer encher os pratos da África, os meus punhos querem unir os povos e a minha alma, ah, essa não quer mais ser violentada.
Enxergo pela primeira vez a minha vida. Compreendo que sempre dei voltas em torno da realidade, mas era dura demais para encarar.
Preciso agir! Fazer a diferença! Libertar meu grito preso na garganta.

Parem! Parem!

Impeçam que esse pêndulo monstruoso de iniquidade segregue nossa humanidade. Deem um basta nessa arma que nós apontamos contra nosso futuro.
E se for preciso, vestiremos nossas máscaras coragem, ‘porque por baixo delas não há só carne, mas ideia. E ideias são a prova de balas’.

Adaptação do conto "O poço e o pêdulo" de Edgar Allan Poe

Tipo de roteiro: Recriação

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