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Cinzas.

Bem no momento em que as pálpebras escolhiam seu caminho por si mesmas,
um meteoro atingiu a minha linha de percepção.
A mesma que já achava não mais existir.
A repetição desenfreada me causou náusea.
Mas daquelas que a gente admira.
Murmurei que me encantou.
Ele pigarreou assustado mas nem havia me ouvido.
Deus? Atrocidades? Areia movediça?
Nenhum sibilou! Causou tremor!
Ela, que eu via ele, fodeu com gosto as palavras.
Ela, delicada, machucada e serena,
passeava em pensamento.
Mas que raio é Dorset?
Ódio como o dele por ela ter ido sem avisar.
Gostaria de conhecer...
Me perdi com as mãos na lama gelada! Coisa boa que deve ser. Em casa vou saborear tal delícia.
Ou talvez em minha ida à Dorset.
Talvez...
Quem sabe ela não estivesse por cima?
Torturadores são sempre coitados.
Mas a perda de um bebê me leva a crer que foi o fim.
A dor lancinante foi me contaminando e o som desesperador do trem me veio como um colapso!
Tentei respirar, mas novos caixotes vieram.

3 comentários:

  1. Ow Dona Julia, por acaso os causos contados, são de sua autoria? Pois se forem deixo meu duplo parabéns ao seu trabalho. Ora versinhos, ora poemas, ora chego a confundir até com um Cordel. Mando bem menina!

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  2. Hey Eder!
    São meus sim os escritos.
    Que ótimo que está curtindo
    e super obrigada pelo elogio/ incentivo!
    Estou adorando escrever.

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  3. Chegou a me doer tanto estas palavras que vejo o respingar do meu sangue nesta navalha mal afiada...o que dizer... Estas são sim a verdade de um intrínseco ... seu.... que amo e admiro. Nem sempre é formoso, mas sempre é verdadeiro. Nestes seus dizeres elas ficam cada vez mais transpostas. Sou viciado na imperfeição de sua humanidade. "Cinzas" é brilhante como uma pisada logo cedo em uma profunda poça d`água... ou um pic nic em domingo ensolarado. BRILHANTE ESCRITA!

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